quinta-feira, 27 de maio de 2010

epifania.

Ouço e leio muitas vezes a palavra 'consevador'. Com toda esses dilemas das sociedades atuais sobre a questão da liberdade, quebra dos padrões (discurso que nasceu do Iluminismo), progresso e modernidade (provenientes da era vitoriana),ser 'conservador' se tornou um termo pejorativo. Quando pensava em conservador, vinha-me à mente uma imagem de uma pessoa mais velha, séria, antiquada,que não consegue perceber as mudanças ao seu redor. O negativismo relacionada a essa palavra também é fruto da oposição partidária: os partidos conversadores, em geral, defendiam ideais que não eram benvindos [eu sei, com essa reforma ortográfica, essa palavra ficou bizarra]para a maioria da população que queria mudanças no regime. Ainda imagino uma pessoa autoritária, às vezes me perco pelo período histórico e faço uma analogia com déspostas. Minha mente vai longe, mas é justamente por ela ir tão longe que eu, hoje, num momento epifânico numa aula que nada tinha a ver com o assunto [ou tinha, mas as correlações são muito complexas e distantes]- por acaso, a aula era de Teoria da Comunicação - repensei o valor da palavra 'conservador'. Num primeiro momento, associei à concepção ética. Ser conversador seria, então, resguardar os valores morais. Isso pra mim me passou uma imagem muito mais positiva do que as anteriores.
A partir desse ponto, trasformei o substantivo em verbo e vi que a mudança me fez enxergar de maneira ainda melhor. Conservar. Numa época em que a conservação dos espaços físicos e ambientais é tão amplamente pregada, conservar tem seu valor estritamente positivo. É interessante perceber como fazemos nossos isolamentos de campo. Duas palavras que possuem o mesmo léxico, mesma origem, me fizeram pensar em coisas tão diferentes. Engraçado como estamos tão perto e ao mesmo tempo tão longe; como o que parece, necessariamente não corresponde ao que se é. Isso se existir uma ideia concreta das coisas, de fato.

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